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28 de out. de 2026

Câncer de mama em cadelas e gatas: prevenção, sinais e os exames que fazem diferença

Câncer de mama em cadelas e gatas: prevenção, sinais e os exames que fazem diferença

Câncer de mama é o tumor mais comum em cadelas. Veja como prevenir, os sinais de alerta e quais exames ajudam o veterinário do nódulo ao tratamento.

Saúde animal

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Outubro é o mês em que o rosa toma conta das campanhas de prevenção do câncer de mama, e já faz alguns anos que veterinários de todo o país estendem esse alerta para cães e gatos, no movimento que ficou conhecido como Outubro Rosa Pet. Faz todo sentido: nas cadelas, os tumores de mama respondem por cerca de 42% de todos os tumores diagnosticados, segundo dados da Sociedade Veterinária de Oncologia Cirúrgica dos Estados Unidos divulgados pela Universidade Cornell, e nas gatas eles aparecem como o terceiro tipo de câncer mais comum.

A boa notícia é que esse é um dos cânceres em que prevenção e diagnóstico precoce mais pesam no resultado, e boa parte do caminho passa por decisões simples do tutor e por exames que ajudam o veterinário a agir no momento certo.

O que é o câncer de mama em cadelas e gatas?

O câncer de mama, chamado na medicina veterinária de neoplasia mamária, é o crescimento descontrolado de células das glândulas mamárias. Cadelas e gatas têm duas fileiras de mamas que vão do peito até a virilha, e os tumores podem surgir em qualquer uma delas, muitas vezes em mais de uma ao mesmo tempo.

Nem todo tumor de mama é câncer. Nas cadelas, cerca de metade dos tumores mamários é maligna, enquanto nas gatas a proporção é bem maior, com pelo menos 80% dos casos malignos, segundo o consenso brasileiro sobre tumores mamários felinos. Os tumores aparecem com mais frequência em fêmeas adultas e idosas, geralmente a partir dos 7 anos, e machos também podem desenvolver a doença, embora isso seja raro.

Quais são os fatores de risco?

O principal fator é hormonal. Os hormônios do ciclo reprodutivo estimulam o tecido mamário, e por isso o risco cresce a cada cio que a fêmea passa sem ser castrada. Outros fatores citados na literatura são a idade, a obesidade e a raça, com algumas raças de gatos, como a siamesa, aparecendo com mais frequência nos estudos.

Os anticoncepcionais injetáveis, conhecidos como "injeção anticio", também estão entre os fatores mais lembrados pelos veterinários. Eles usam hormônios do tipo progesterona, associados a maior risco de tumores de mama e de outros problemas reprodutivos em cadelas e gatas, e por isso não costumam ser recomendados como método de controle do cio.

Castração previne câncer de mama?

Sim, e quanto mais cedo, maior a proteção. Os números mais usados pela literatura veterinária mostram como o risco muda conforme a idade da castração:

Quando a castração é feita

Efeito no risco de tumor de mama

Cadela, antes do primeiro cio

risco de 0,5% em comparação com cadelas não castradas

Cadela, depois do primeiro cio

risco de 8%

Cadela, depois do segundo cio

risco de 26%

Gata, antes dos 6 meses

redução de 91% no risco de carcinoma mamário

Gata, antes de 1 ano

redução de 86% no risco

Gata, depois dos 2 anos

pouco ou nenhum efeito protetor

Os dados das cadelas são do Colégio Americano de Cirurgiões Veterinários, divulgados pela Universidade Cornell, e os das gatas vêm de um estudo da Universidade da Pensilvânia publicado no Journal of Veterinary Internal Medicine em 2005. A idade ideal para castrar cada animal deve ser definida com o veterinário, que considera porte, raça e saúde geral.

Quais sinais merecem atenção?

O sinal mais comum é um nódulo, que pode ser pequeno e firme como um grão de ervilha ou crescer rápido e ficar aderido à pele. Também vale observar:

  • inchaço, vermelhidão ou endurecimento de uma ou mais mamas;

  • secreção pelos mamilos fora do período de cria;

  • feridas que não cicatrizam na região das mamas;

  • dor ao toque na barriga ou no peito;

  • em fases mais avançadas, cansaço, perda de apetite ou tosse, que pedem avaliação rápida.

A palpação em casa é simples e pode virar parte da rotina. Durante o carinho ou o banho, deslize os dedos com delicadeza pelas duas fileiras de mamas, do peito até a virilha, procurando qualquer caroço ou mudança de textura. Fazer isso uma vez por mês, sempre do mesmo jeito, ajuda a perceber o que mudou.

Encontrei um nódulo na mama do meu pet. E agora?

O primeiro passo é marcar uma consulta sem esperar o nódulo crescer, mesmo que o animal pareça bem e esteja comendo e brincando normalmente. Também não vale tirar conclusões antes da avaliação: nem todo caroço na região das mamas é um tumor mamário, porque alguns são tumores de pele ou de outros tipos que aparecem no mesmo lugar e pedem condutas diferentes.

Nas gatas, a pressa é ainda maior. Como a maioria dos tumores mamários felinos é maligna e tende a se espalhar, quanto menor o nódulo no momento do diagnóstico, melhores costumam ser as opções de tratamento.

Quais exames ajudam no diagnóstico e no tratamento?

A investigação de um tumor de mama combina o exame clínico, exames de imagem e exames de laboratório, e cada um responde a uma pergunta diferente:

Exame

Para que serve

Quando costuma ser pedido

Citologia por punção (PAAF)

ajuda a descartar outros tipos de tumor na região e a avaliar linfonodos aumentados; sozinha, não define se o tumor de mama é benigno ou maligno

na primeira avaliação do nódulo

Hemograma

avalia glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas, mostrando anemia, infecção ou alterações de coagulação

antes da cirurgia e durante o tratamento

Bioquímico (rins e fígado)

mostra se os órgãos que processam anestésicos e medicamentos estão funcionando bem

antes da cirurgia e durante o tratamento

Radiografia de tórax e ultrassom

procuram sinais de que o tumor se espalhou para pulmões ou outros órgãos

antes da cirurgia, no estadiamento

Histopatológico

analisa o tecido retirado na cirurgia e define o tipo do tumor, o grau de malignidade e as margens

depois da cirurgia

O conjunto desses resultados forma o estadiamento, uma espécie de mapa que mostra o tamanho do tumor, se há comprometimento de linfonodos e se existe metástase à distância. É com esse mapa que o veterinário decide a extensão da cirurgia e se haverá tratamento complementar.

Vale um destaque sobre a citologia. Ela é rápida, pouco invasiva e muito útil como triagem, mas a literatura veterinária mostra que, no caso específico dos tumores de mama, a punção não consegue separar com segurança o benigno do maligno. Quem dá essa resposta é o histopatológico, considerado o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo.

Como é o tratamento?

Na maioria dos casos, o tratamento de escolha é a cirurgia, chamada de mastectomia, que retira as mamas afetadas com margem de segurança e, quando indicado, os linfonodos da região. Dependendo do tipo e do grau do tumor, o veterinário pode indicar quimioterapia depois da cirurgia, e muitas vezes recomenda castrar a fêmea no mesmo procedimento, caso ela ainda não seja castrada.

Durante todo esse percurso, os exames de sangue seguem presentes: antes da anestesia, para garantir que o paciente está apto, e ao longo do tratamento, para acompanhar como o organismo está respondendo aos medicamentos. O plano exato é sempre definido pelo veterinário que acompanha o caso.

Para o médico-veterinário: onde o laboratório soma

Na rotina da clínica, o laboratório entra em quatro pontos do manejo do tumor mamário: o perfil pré-operatório (hemograma e bioquímico com função renal e hepática), a citologia como triagem do nódulo e dos linfonodos, o histopatológico da peça cirúrgica e os exames seriados durante a quimioterapia. Em todos eles, a qualidade da amostra e as informações clínicas enviadas na requisição fazem diferença no laudo, como mostramos no artigo sobre citologia inconclusiva.

Checklist do tutor no Outubro Rosa Pet (e no resto do ano)

  • Conversar com o veterinário sobre a idade ideal para castrar filhotes fêmeas.

  • Evitar anticoncepcionais injetáveis para controlar o cio.

  • Apalpar as mamas uma vez por mês, do peito até a virilha.

  • Manter o peso do pet sob controle.

  • Levar fêmeas adultas e idosas para check-up anual com exames de sangue.

  • Procurar o veterinário ao encontrar qualquer nódulo, sem esperar crescer.

Perguntas frequentes sobre câncer de mama em pets

Cadela castrada pode ter câncer de mama? Pode, mas o risco é muito menor quando a castração acontece antes do primeiro cio. Castrações feitas depois de vários cios protegem bem menos, por isso o acompanhamento com palpação e consultas continua importante.

Com que idade castrar para prevenir o câncer de mama? Nas cadelas, a maior proteção vem da castração antes do primeiro cio. Nas gatas, castrar antes dos 6 meses reduz o risco em 91%, e antes de 1 ano, em 86%. A idade ideal para cada animal deve ser definida com o veterinário.

Injeção anticio aumenta o risco de câncer de mama? Sim. Os anticoncepcionais à base de progesterona estão associados a maior risco de tumores mamários e de outros problemas reprodutivos em cadelas e gatas, e a castração é a alternativa recomendada.

Todo nódulo na mama da cadela é câncer? Não. Nas cadelas, cerca de metade dos tumores mamários é benigna, e alguns caroços na região nem são tumores de mama. Nas gatas, porém, a maioria é maligna, então qualquer nódulo pede avaliação rápida.

A citologia confirma se é câncer de mama? Não sozinha. A citologia ajuda na triagem e na avaliação dos linfonodos, mas a confirmação do tipo e do grau do tumor vem do exame histopatológico do tecido retirado.

Cachorro e gato macho podem ter câncer de mama? Podem, embora seja raro. Qualquer nódulo na região das mamas de um macho também deve ser avaliado pelo veterinário.

Prevenir é cuidar o ano inteiro

O Outubro Rosa Pet é um ótimo lembrete, mas a prevenção do câncer de mama em cadelas e gatas acontece nos outros onze meses também: na decisão de castrar no momento certo, no carinho que vira palpação e no check-up que mostra como o organismo está antes de qualquer problema aparecer. E, se um nódulo aparecer, cada exame bem feito encurta o caminho entre a dúvida e o tratamento.

Precisa de exames para o check-up ou para a avaliação pré-cirúrgica do seu pet? Fale com a Laborlife e combine a coleta com a gente.

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