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12 de jan. de 2026
Entenda por que o DTM (meio de dermatófito) não substitui a cultura fúngica completa e como atalhos podem gerar erros graves no diagnóstico veterinário.
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Cultura fúngica não é “meiozinho de dermatófito”: quando rapidez compromete o diagnóstico
Quando o assunto é diagnóstico de fungos em pets, a pressa pode ser uma grande inimiga. Nos últimos anos, o uso do chamado “meio de dermatófito” se popularizou por prometer resultados rápidos e mais baratos.
Mas aqui vai a pergunta que realmente importa:
👉 Isso é cultura fúngica confiável ou apenas um atalho que compromete o diagnóstico?
Neste artigo, vamos explicar por que cultura fúngica ≠ meio de dermatófito e quais são os riscos clínicos de confundir rapidez com precisão técnica.
1️⃣ O que é o “meio de dermatófito”?

O chamado meio de dermatófito, tecnicamente conhecido como DTM (Dermatophyte Test Medium), é um meio de cultura seletivo que utiliza um indicador de pH (vermelho de fenol) para sinalizar o crescimento. Ele foi desenvolvido para tentar favorecer os dermatófitos, fungos associados a infecções de pele.
Ele surgiu com três promessas principais:
reduzir custos;
acelerar o crescimento;
oferecer uma resposta “rápida” visual (mudança de cor).
O problema é que, em microbiologia clínica, velocidade visual nem sempre significa qualidade diagnóstica.
2️⃣ Dermatófito não é sinônimo de cultura fúngica
Esse é o ponto central da confusão.
🔴 Dermatófito é apenas um tipo de fungo.
Já uma cultura fúngica completa envolve:
crescimento de diferentes espécies de fungos (não apenas dermatófitos);
meios adequados e variados para cada grupo;
rigoroso controle de contaminação ambiental;
identificação microscópica correta do agente.
Ou seja, usar apenas o DTM não equivale a realizar uma cultura fúngica de verdade.
3️⃣ O grande problema dos métodos “rápidos”
Na prática, confiar apenas na mudança de cor do "potinho" apresenta limitações graves:
crescimento inespecífico;
dificuldade na diferenciação das espécies a olho nu;
possibilidade real de falso negativo;
alto risco de falso positivo.
Por que o falso positivo ocorre? Muitos fungos contaminantes do ambiente (saprófitas) também podem consumir as proteínas do meio e mudar sua cor para vermelho, induzindo ao erro quem olha apenas a cor do ágar e não analisa a estrutura do fungo no microscópio.
📌 Ele até muda de cor rápido. 📌 Mas a cor, sozinha, não é diagnóstico.
E diagnóstico mal feito não ajuda o clínico, atrapalha.
4️⃣ Rápido e ruim ainda é ruim
Diagnóstico não é corrida de Fórmula 1. Não adianta:
➡️ sair rápido, ➡️ custar menos, ➡️ e errar o agente etiológico.
Na rotina clínica, isso resulta em:
tratamentos inadequados (usar antifúngico quando não é fungo, ou o oposto);
casos que não evoluem;
atraso na resolução real do problema do animal;
retrabalho para o veterinário;
frustração e perda de confiança do tutor.
O custo invisível do “atalho” quase sempre é maior no final.
5️⃣ O que a ciência realmente recomenda

As culturas de fungos filamentosos seguem protocolos internacionais bem estabelecidos. Em muitos casos, não se recomenda liberar resultados em poucos dias.
A ciência recomenda a microscopia confirmatória (análise das estruturas do fungo em lâmina) para garantir que o agente que cresceu é realmente um patógeno, e não um contaminante que apenas mudou a cor do meio.
🧠 Ciência não funciona no modo “atalho”. Funciona no modo método.
6️⃣ A postura do Laborlife diante do diagnóstico fúngico
Aqui no Laborlife, isso é inegociável. Se um “meiozinho de dermatófito” chega até nossa microbiologista e apenas mudou de cor sem confirmação microscópica:
👉 ele não vira laudo.
Porque aqui:
não existe chute baseado em cor;
não existe atalho na metodologia;
não existe diagnóstico “mais ou menos”.
Cada exame só é liberado quando oferece valor clínico real e segurança para a tomada de decisão do veterinário.
Conclusão: fungo se investiga do jeito certo
Se é para investigar infecção fúngica, que seja com método, controle e precisão microscópica.
Rápido quando a biologia permite. Preciso sempre.
É assim que se protege o tratamento, o paciente e a credibilidade do profissional que solicita o exame.
💛 Laborlife. Ciência que cuida.
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