Resultados de exames

21 de ago. de 2026
De 1996 a 2026, a história do Laborlife: automação pioneira, valores de referência inéditos e a coleta domiciliar que virou padrão no Rio de Janeiro.
Saúde animal
Compartilhe em:
Laborlife 30 anos: a história de um laboratório que começou querendo parecer com laboratório de gente
Em 20 de agosto de 1996, abrir um laboratório de análises clínicas só para animais no Rio de Janeiro era uma ideia estranha.
Não porque faltasse pet na cidade. Faltava outra coisa: o hábito. Exame laboratorial em cão e gato era recurso de exceção, pedido quando o quadro apertava, e muita clínica resolvia no olho, na experiência e no palpite bem informado. A veterinária brasileira estava anos atrás do que já era rotina no diagnóstico humano.
O Laborlife nasceu apontando exatamente para essa distância. A ideia não era montar mais um laboratório veterinário. Era montar um laboratório veterinário que funcionasse como os bons laboratórios humanos funcionavam: com equipamento automatizado, processo padronizado e resultado que o clínico pudesse usar como base de decisão, e não como confirmação do que ele já achava.
Trinta anos depois, quase tudo isso virou obrigação de mercado. Em 1996, era aposta.
Quem começou
O Laborlife é de Priscila do Amaral Fernandes e Diego Fernandes Quintas.
Priscila é bióloga com especialização em Patologia Clínica e responde até hoje pela direção técnica e científica da casa. É quem define método, quem valida processo e quem decide o que entra e o que não entra no portfólio. Diego cuida da parte administrativa.
Vale registrar o que isso significa na prática, porque não é detalhe de organograma. A pessoa que responde tecnicamente pelo laboratório está no laboratório. Uma dúvida de método não vira chamado, não sobe hierarquia e não espera reunião de diretoria. É a diferença entre uma casa gerida por quem entende do assunto e uma casa gerida por quem lê o relatório de quem entende.
Anos 2000: quando o normal ainda não existia
Este é o capítulo que o Laborlife menos contou e que mais deveria ter contado.
Todo laudo traz uma faixa de normalidade ao lado do resultado. É o valor de referência, e ele responde se aquele número está dentro do esperado para aquela espécie. Para cão e gato, essa faixa já existia na literatura internacional, com estudo, população medida e cálculo publicado.
Para um monte de outros animais, não existia. Calopsita, jabuti, coelho, furão e boa parte dos pets não convencionais chegavam ao laboratório sem régua. Dava para medir, mas não dava para dizer se estava bom.
Nos anos 2000, o Laborlife foi atrás de construir esses valores de referência para espécies pouco estudadas. É um trabalho ingrato: exige reunir população saudável, medir, calcular, validar e chegar a uma faixa que ninguém tinha antes. Não rende post, não aparece no laudo com o nome de quem fez, e é a razão pela qual um exame de ave hoje volta com faixa de normalidade ao lado do número.
De todas as coisas que o Laborlife fez em 30 anos, essa é a única que nenhum concorrente do Rio consegue copiar. Não dá para comprar o equipamento e ter isso.
2010: tirar o pet da sala de espera
Em 2010 o Laborlife apostou em coleta domiciliar e em resultado online.
Hoje as duas coisas soam óbvias. Naquele momento não eram. Coleta em casa era serviço de nicho, resultado ainda circulava impresso ou por fax em boa parte do mercado, e a ideia de que o tutor abriria o laudo do próprio pet numa tela ainda não estava dada.
A decisão veio de uma leitura simples da rotina de quem mora no Rio. O deslocamento é caro em tempo. Pet idoso sofre mais no trajeto do que na coleta. Gato chega à clínica em outro estado emocional, e estresse mexe em parâmetro de exame. E existe o tutor que adia a coleta por semanas porque não consegue encaixar a ida.
Resolver a logística resolvia parte relevante do problema clínico. Foi por aí que a casa foi.
2020: o ano em que o laboratório veterinário virou laboratório de gente
Quando a pandemia chegou, o Laborlife tinha estrutura de biologia molecular montada para uso veterinário.
A estrutura foi estendida para diagnóstico humano com o braço Laborlife Diagnósticos, incluindo RT-PCR para SARS-CoV-2.
Existe uma ironia boa aí, e ela fecha um arco de 24 anos. O laboratório que nasceu em 1996 tentando alcançar o padrão do laboratório humano acabou operando como laboratório humano numa emergência de saúde pública. A distância que a casa se propôs a encurtar não só encurtou: em determinado momento, sumiu.
O que não mudou em 30 anos
A sede continua em Botafogo, na Rua Teresa Guimarães.
A equipe hoje reúne cerca de 50 pessoas entre biólogos, biomédicos, médicos-veterinários e técnicos, distribuídas entre o setor técnico-laboratorial, que abriga patologia clínica, biologia molecular e análises veterinárias, a área de pesquisa, desenvolvimento e qualidade, e o time de atendimento e logística.
E os fundadores continuam dentro da operação, o que é raro numa casa de três décadas.
O que sustenta esses 30 anos não é nenhum equipamento específico. Equipamento envelhece e é substituído. É a decisão, tomada em 1996 e repetida desde então, de que resultado de exame em animal precisa ter o mesmo rigor que resultado de exame em gente.
Aos veterinários que confiaram na casa antes de ela ter história, e aos tutores que entregaram o pet mais importante da vida deles para uma coleta na sala de casa: obrigado. Os próximos 30 começam agora.
Ciência que cuida.
Compartilhe em:
Dicas e conhecimento
Ver todos



